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07/08/2003 22:41
Oi Grrrls, tdo blz com vcs??? Tipo assim, eu to ligada que esse blog eh moh pouco visitado mais blz, se vc acha ele legal, por favor tente divulga-lo um pooukinhu...
Hoje eu vo colocar um textu bem legal, que foi escrito pela Rita Lee...
"Eu tinha 13 anos, em Fortaleza, quando ouvi gritos de pavor. Vinha da
vizinhança, da casa de Bete, mocinha linda, que usava tranças.
Levei apenas uma hora para saber o motivo. Bete fora acusada de não
ser mais virgem e os dois irmãos a subjugavam em cima de sua estreita cama de solteira, para que o médico da família lhe enfiasse a mão enluvada entre as pernas e decretasse se tinha ou não o selo da
honra. Como o lacre continuava lá, os pais respiraram, mas a Bete
nunca mais foi à janela, nunca mais dançou nos bailes e acabou
fugindo para o Piauí, ninguém sabe como, nem com quem.
Eu tinha apenas 14 anos, quando Maria Lúcia tentou escapar, saltando o
muro alto do quintal da sua casa para se encontrar com o namorado.
Agarrada pelos cabelos e dominada, não conseguiu passar no exame
ginecológico.
O laudo médico registrou "vestígios himenais dilacerados", e os pais
internaram a pecadora no reformatório Bom Pastor, para se esquecer do
mundo.
Realmente esqueceu, morrendo tuberculosa. Estes episódios marcaram
para
sempre a minha consciência e me fizeram perguntar que poder é
esse que a família e os homens têm sobre o corpo das mulheres. Ontem,
para
mutilar, amordaçar, silenciar. Hoje, para manipular, moldar,
escravizar aos estereótipos. Todos vimos, na televisão, modelos
torturados
por seguidas cirurgias plásticas.
Transformaram seus seios em alegorias para entrar na moda da peitaria
robusta das norte-americanas.
Entupiram as nádegas de silicone para se tornarem rebolativas e
sensuais,
garantindo bom sucesso nas passarelas do samba.
Substituíram os narizes, desviaram costas, mudaram o traçado do dorso
para
se adaptarem à moda do momento e ficarem irresistíveis diante
dos homens. E, com isso, Barbies de fancaria,provocaram em muitas
outras mulheres - as baixinhas, as gordas, as de óculos - um
sentimento de perda de auto-estima. Isso exatamente no momento em que
a maioria de estudantes universitários (56%) é composta de moças. Em
que mulheres se afirmam na magistratura, na pesquisa científica, na
política, no jornalismo. E no momento em que as pioneiras do eminismo
passam a defender a teoria de que é preciso feminilizar o mundo e
torná-lo mais distante da barbárie mercantilista e mais próximo do
humanismo.
Por mim, acho que só as mulheres podem desarmar a sociedade. Até
porque elas são desarmadas pela própria natureza. Nascem sem pênis,
sem o poder fálico da penetração e do estrupro, tão bem representado
por pistolas, revólveres, flechas, espadas e punhais. Ninguém diz, de uma mulher, que ela é de espadas. Ninguém lhe dá, na primeira infância, um fuzil de plástico,como fazem com os meninos, para
fortalecer sua virilidade e violência.
As mulheres detestam o sangue, até mesmo porque têm que derramá-lo na
menstruação ou no parto. Odeiam as guerras, os exércitos regulares ou
as gangues urbanas, porque lhes tiram os filhos de sua convivência e
os colocam na marginalidade, na insegurança e na violência.
É preciso voltar os olhos para a população feminina como a grande
articuladora da paz. E para começar, queremos pregar o respeito ao
corpo da mulher. Respeito às suas pernas que têm varizes porque
carregam latas d'água e trouxas de roupa.
Respeito aos seus seios que perderam a firmeza porque amamentaram seus
filhos ao longo dos anos. Respeito ao seu dorso que engrossou,
porque elas carregam o país nas costas. São as mulheres que imporão um
adeus às armas, quando forem ouvidas e valorizadas e puderem fazer
prevalecer a ternura de suas mentes e doçura de seus corações.
"Nem toda feiticeira é corcunda, nem toda brasileira é bunda. E meu
peito não é de silicone; sou mais macho que muito homem".
Rita Lee
Eu sei que essa figura naum tem mto a ver, mais ela eh legal...
Trilha Sonora: The Donnas
enviada por Cacau
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